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Nascemos em uma cidade que nossos pais contruíramCorrespondência entre Humberto Abreu e Alfredo Sampaio Alfredo , outro dia vc se indagou por que nós gostamos tanto de Acesita. Eu também já me indaguei sobre isso. Mas como dizia o genial Nelson Rodrigues : " Os idiotas da objetividade não percebem o óbvio ululante !" Enquanto os que nascem em Vitória , São Paulo , Ouro Preto e até Coronel Fabriciano , nascem em cidades que já existiam . Nós não , nascemos em uma cidade (Acesita) que nossos pais construiram. Somos a primeira geração de Acesitanos. Nossos pais deixaram família , tradições , amigos e encararam um lugar sem nada . Imagine quantos anos os pais do Igino , do Manella e de muitos outros ficaram sem rever seus familiares. Quantos deles não puderam sequer velar seus entes queridos. Quantos natais de muita saudade , quantas crianças foram batizadas sem um parente por perto. Tal como bandeirantes modernos , vieram de vários cantos de Minas , do Brasil e até do mundo para construir uma usina de aços especiais . E eles superaram a meta e , mais que uma fábrica , construíram uma comunidade de gente muito especial. Poucos de nós tínhamos parentes por aqui , a sua família foi exceção, e aí os vizinhos passaram a serem os tios e primos que não tínhamos. Aquele portão que ligava a casa do Igino à casa do Gentil era muito comum por aqui . Aí os laços de vizinhança , viraram laços de família .Para mim, obedecer a Dª Clores , mãe do Beto Pires, ou a Dª Irene , mãe do Roberto Mosci era a coisa mais normal do mundo. Essa gente de hoje que tem telefone celular , DDD , internet não imagina como isso aqui era isolado. Lembro-me que em 1970 fui estudar em Niterói , para falar com meu pai o mais rápido era ir no escritório da Companhia no Centro do Rio e falar via rádio. Por telefone , quando se conseguia a espera era de mais de 4 horas. Mudando de assunto, a Vila dos Técnicos tem uma história especial repare no número de famílias estrangeiras : Italianos - Família Foschi , Cerlini , Manella , Zamborlini ....Polonês - Charlinsk.... Russo -Nikitin....Teve um americano que eu não lembro o nome.....Italiano misturado com Alemão - Meneghini Tinha o Sr. Leopoldo Salzman , que eu não sei qual a origem Você certamente lembrará de outros exemplos . E todos viviam em harmonia com os brasileiros , sem contar que coordenando essa verdadeira Torre de Babel estava um legítimo Brasileiro Wilkes de Minas. Sds acesitanas , Beto Abreu |
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Acesita - Um retrato na paredeHá anos, ganhei de meu pai uma fotografia de Acesita que mostrava a fase final da montagem da usina. Lá estava ela: a Vila dos Técnicos, com suas casas originais, a Avenida 14, a 12, a 10, a Rua 37 e a Rua 38, e outras tantas, das quais não me lembro a denominação, mas me lembro bem delas, de quem morava nelas, principalmente. Olho para o retrato fixamente: nele, não há ninguém nas ruas, mas as pessoas estão ali, bem na minha frente, em suas casas, em seus locais de trabalho, deslocando-se da forma como podiam. Voltando ao retrato, lembro-me de que parte da Vila dos Técnicos foi engolida pela usina. Dou conta também de que a minha geração foi a primeira e a única nascida e criada na Avenida 14, em frente à Portaria 2 da usina. Será que em algum lugar do mundo existe coisa semelhante? A casa onde nasci só existe nesse retrato, que teima em existir na parede de meu apartamento. Um detalhe: quase nunca olho para ele. Também nem precisa, tenho de cor de salteado todos os detalhes que ele teima em mostrar em apenas uma dimensão. Eu, em minhas lembranças os tenho em 3D e com som em cinco canais. Ainda por cima, colorido a meu modo, pois sou daltônico. Melhor do que no retrato, em preto e branco.
Escrito por Alfredo Carvalho Sampaio em 20/08/2009
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Acesita CelesteAmigos eis a carta que recebi da Madame Abgail, O Dr. Geraldo juntou uns amigos e fundou o Rotary Club Acesita Celeste , fundou também um clube de malha , seu esporte predileto. Anda meio macambúzio, porque uma das coisas que ele mais gostava de fazer aí na terra, era fazer palestras e dar conselhos, e por aqui a demanda por esses assuntos não existe. Outra coisa que o deixa meio trist , quase não existe advogado aqui no céu ( por que será?), assim ele fica meio sem companhia. Seu Cyro também reclama que não tem correligionários para armar uma eleiçãozinha. Ele quis montar um partido político por aqui, mas São Pedro , o síndico do pedaço, desaconselhou: “ Você está aqui como exceção , melhor não correr riscos. O FILHO do HOMEM , quando esteve na Terra participou de uma eleição com um tal de Barrabás e perdeu , ficou cabreiro com esse negócio de eleição”. Falaram com o Seu Cyro que se ele insistisse em mexer com política teria que mudar de domicíli , e como aqui no Além só tem duas opçõe , ele desistiu . O Dr. Virgílio e o Sr. Milton Ribeiro estão sempre juntos, filosofando e observando tudo, quietinhos como bons mineiros. Engraçado esse Dr. Virgílio, descendente de italiano, mas mineiro até no fundo da alma. De vez em quando põe a Delfina no colo. O Virgilinho morre (modo de dizer) de ciúmes. O Dr. Ery implica com todo mundo, principalmente com o Seu Milton Ribeiro, que faz raiva nele fingindo que não liga. Como aí na terra, o Dr. Ery fica dividido, tem hora que está com a turma de Acesita, de repente se manda e vai ficar com a turma de Santa Maria. Acho que o Cirênio sempre esteve certo, o Ery saiu de Santa Maria, mas Santa Maria não sai dele. Outro que anda sempre rindo por aqui é o Tião Escorrega. Vocês estão surpresos? Calma que eu já explico: O nosso Malazartes nunca foi bobo, quando viu que estava chegando a sua hora correu no INSS. Depois de muito 171 prá cima do Dr.Xisto, conseguiu um atestado de que, no quesito “responsabilidade”, ele se comportava como um menino de 10 anos, não tendo domínio dos seus atos, portanto inimputável. Quando ele protocolizou seu pedido de entrada no Céu, o mesmo foi indeferido. Ele não acatou, recorreu, e aqui a segunda instância fica a cargo da Compadecida. Aí o nosso amigo saca o laudo e prova que, apesar das muitas aprontações, nenhuma era grave, apenas coisas infantis sem maiores conseqüência. Pediu, e conseguiu que a Compadecida visse como era a sua amizade com as pseudo-vítimas . Aquele lance do talão de cheques do Xandinho foi decisivo, pois a amizade entre os dois não ficou abalada. Não pensem que ele mudou, outro dia encontrou o Seu Ugo Foschi e o Iorque conversando no Clube de Motoqueiros Anjos Celestes. Como eles estavam distraídos, no maior papo sobre as suas CB 400, o Tião não pensou duas vezes, trocou as chaves das motos. Quando foi sair o Ugo ficou bravo, queria estrangular o Escorrega. O Iorque até gostou, estava pegando o boi, já que a sua CB estava toda lanternada, e a do Ugo nem arranhado tem. Não fosse a intervenção da Dª Tosca, o Tião iria levar umas merecidas canoas. Por falar na Dª Tosca, com aquele jeitão de “Nona” foi escolhida por Nossa Senhora ( A Compadecida) como sua representante na Acesita Celestial. Tem uma turma se reúne no Boteco do Céu Bethônico: Paulinho de Castro, Bernardino Guerra , Romeu Borges, Arthurzinho, Seu Cyro, Tião, Cirênio Preto e outros. É gente, vocês são preconceituosos mesmo . Quem disse que ser alegre, irreverente é pecado? O que garante alguém aqui é ter sido gente boa aí na terra. Há muito tempo o Stanislaw Ponte Preta já dizia: “Deus só não perdoa um tipo de pecador – O CHATO”. A chatice é mais que “pecado mortal”, é “pecado imortal”, nem a morte absolve. O Paulinho de Castro, que não perde uma troça repete o tempo todo: As discussões entre atleticanos e cruzeirenses não acabam, nem após a morte. Eles só se unem para sacanear o Bernardino que é americano, parece que vai sofrer por toda eternidade. A turma só tem uma reclamação, o vinho canônico. A única bebida servida aqui é muito fraquinha, custa muito a dar zonzura. Ameaçaram procurar outro boteco, mas o Romeu, muito esperto, lembrou que, aqui no Além, o Timirim das Cachaças fica no andar de baixo. E que lá, além de todos os tipos de bandidos, é o lugar para onde vão todos os chatos do mundo. Ninguém merece! Meu amigo Humberto, vou parando por aqui, porque esse privilégio que estou te dando tem limites. Sua amiga, Madame Abigail. Ps : Dª Idê e o Dr. Geraldo mandam-lhe um recado:
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